Coordenadores da pastoral do dízimo definem Campanha de 2021

Os coordenadores paroquiais da pastoral do dízimo reuniram-se no sábado, 27 de fevereiro para avaliar e definir a proposta para a Campanha de 2021. Por ser o início da atividades desta pastoral e seguindo a sugestão de dom Dario Campos, arcebispo de nossa Arquidiocese, o encontro também destinou um espaço para refletir sobre a espiritualidade na vida dos coordenadores. O convidado para refletir sobre o tema foi pe. Hadeleon de Oliveira Santana, administrador paroquial na paróquia Virgem Maria em Itacibá, Cariacica.

Pe. Hadeleon começou dizendo que “a pandemia mostrou a nossa fragilidade espiritual” e definiu a oração como “uma relação de amizade e não uma necessidade” e, ainda que “a fé n os leva a confiar na providência de Deus”. “Quando você coloca tudo na mão de Deus, Ele abre o caminho”. Relacionando o tema com o dízimo, pe. Hadeleon afirmou “o dízimo não é o dinheiro que eu dou, é o sentimento da gratidão por tudo que Deus me dá. Quem tem fé separa, no sentido de consagrar, uma parte daquilo que tem para Deus”.

Após a reflexão sobre espiritualidade foi apresentada a proposta da Campanha do Dízimo para 2021 e os coordenadores fizeram seus escolhas entre as possibilidades apresentadas. Ficou decidido que no início de junho haverá um treinamento com os coordenadores sobre a Campanha ainda a ser melhor definido dependendo das orientações sobre a pandemia do coronavírus.

Abrindo os trabalhos da tarde, dom Dario dirigiu-se aos participantes, agradecendo e incentivando a cada um no seu trabalho pastoral. Leia abaixo as palavras do Arcebispo:

Caros irmãos e irmãs,

Paz e bem!

Gostaria de acolher a todos e todas vocês que hoje se dispuseram a vir participar deste encontro de formação da pastoral do dízimo, acolhendo também todos os responsáveis pela organização do encontro de hoje. Deixamos nossas casas e viemos dos diversos cantos de nossa Arquidiocese de Vitória, para fortalecer nossos laços de comunhão, participação, partilha e compromisso com nossas Comunidades Eclesiais de Base.

Gostaria de partilhar com vocês dois aspectos da Sagrada Escritura, que podem nos inspirar em nosso empenho com esta dimensão tão importante de nossa vida de fé, que é o dízimo. De fato, é no encontro profundo com a Palavra de Deus, que a comunidade dos discípulos missionários reconhece a bênção presente no compromisso com a restituição do dízimo, bênção que é derramada sobre a vida daqueles que se comprometem com o Senhor, restituindo e devolvendo, na Comunidade Eclesial de Base, o que recebeu como fruto do seu trabalho cotidiano.

Em muitas passagens da Sagrada Escritura, o dízimo é descrito como uma expressão de fé e gratidão, sinal do reconhecimento do povo pelas infinitas bênçãos recebidas do Senhor. Dentre estes textos, encontramos o do profeta Malaquias, no qual, a palavra bênção está unida diretamente ao dízimo. “Trazei o dízimo integral para o Tesouro, a fim de que haja alimento na minha casa. Provai-me com isso, disse o Senhor, para ver se eu não abrirei as portas do céu e não derramarei sobre vós bênçãos em abundância” (Ml 3,10). Nas palavras do profeta reconhecemos a promessa feita ao indivíduo, mas, não somente a ele, que diante do seu Senhor, restitui o seu dízimo. De fato, a sua profissão de fé e reconhecimento de que o que produziu é fruto da graça divina, faz recair infinitas bênçãos sobre a sua família e sobre toda a comunidade do Povo de Deus. Assim, o Povo de Israel é convocado a reconhecer que dízimo, enquanto manifestação de fé que professa nas bondades do Senhor, será sempre fonte de infinitas bênçãos. Do mesmo modo, somos convidados a assumir o lugar do profeta Malaquias, levando aos irmãos e irmãs o convite a fazerem esta fecunda experiência da bênção do Senhor.

O segundo texto retirado dos Atos dos Apóstolos indica o reconhecimento e o compromisso com a restituição do dízimo, como um gesto próprio dos discípulos missionários. “Eles se mostravam assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2,42). Esta passagem indica, de forma clara, que a partilha dos bens nasce da acolhida da Palavra de Deus e do desejo de colocá-la em prática. Desse modo, sendo a restituição do dízimo um compromisso concreto de partilha, torna-se também um gesto de fé e de amor para com o Senhor, na comunidade dos discípulos missionários. De modo que, torna-se dizimista, aquele que ouve a Palavra de Deus, reconhece no dia a dia as imensas bênçãos recebidas de sua bondade e, por isso, compromete-se com a restituição de uma parte daquilo que recebeu gratuitamente do Senhor. Assim sendo, o dizimista, por meio de seu compromisso com a Palavra de Deus, recebe as bênçãos do Senhor e torna-se um sinal do seu amor. Pois, o que ele deposita diante do altar na Comunidade vai se tornar um sinal do cuidado de Deus para com os pobres, os excluídos e necessitados. Uma bênção que será derramada, de forma abundante, sobre a sua família e, também, sobre outras tantas famílias acolhidas e assistidas pela Comunidade Eclesial de Base.

Que o Senhor faça frutificar o compromisso e a disponibilidade de cada um e de cada uma de vocês, de modo que tantos outros irmãos e irmãs em nossas Comunidades Eclesiais de Base, possam fazer a experiência da Bênção, da Fé e do Compromisso Fraterno que é a consagração do dízimo.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!